O Nego D’Água não está mais na água e revela a situação crítica do Rio São Francisco



Uma das principais atrações turísticas de Juazeiro, a escultura Nego D´Água, do artista plástico Ledo Ivo, localizada no tradicional bairro Angari, expõe a fragilidade que o Rio São Francisco vem sofrendo. Com 12m de altura, a obra de arte, até pouco tempo ficava em parte submersa pelas águas. Em visita ao local, a reportagem constatou que em volta da escultura está tudo seco. A base do Nego D’Água está visível, e onde havia muita água, agora é possível caminhar livremente.

No último dia 4, o Preto no Branco mostrou a situação de uma embarcação que ficou encalhada próximo à margem de Petrolina e os passageiros precisaram ser transferidos em barcas menores.
Sem uma política séria de revitalização, com contenção do desmatamento de matas ciliares, uso racional da água por parte da agricultura irrigada, tratamento do esgoto e intervenção dos poderes, desde o municipal até o federal, é possível que em um futuro não muito distante até a escultura da Mãe D´Água fique também exposta e sem o rio para lhes banhar.
Alguns moradores do bairro Angari, que conversaram com nossa reportagem, se mostraram chocados com a situação do cartão postal de Juazeiro. “Esse é o retrato fiel da situação do nosso Velho Chico. De pouquinho em pouquinho, o rio está secando e olha aí a prova disso. O Nego D’ Água não está mais na água”, lamentou um morador.
Personagem lendário do Velho Chico, o Nego D’ Água que assustava as lavadeiras do Angari, assusta agora toda população ribeirinha e, do alto da sua intimidade com o rio, chama atenção para o sofrimento deste manancial, fonte de vida para o sertão nordestino.
Da Redação Por Juliano Ferreira/PORTAL PRETO NO BRANCO 

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